terça-feira, 20 de agosto de 2013

Janet Parker: A terrível história da última vítima fatal da varíola no mundo

A varíola é uma doença infectocontagiosa causada por um vírus que infecta os seres humanos.
A doença sempre foi associada como a causa de epidemias mortíferas, e já na Antiguidade é reconhecida como a provável epidemia misteriosa que matou um terço da população em Atenas, Grécia, no ano de 430 a.C, o que significou o início do declínio dessa civilização.
A doença também foi uma das responsáveis pela destruição das populações nativas da América.
Os seus trágicos registros históricos não param por aí, e estima-se que a varíola já tenha matado 500 milhões de pessoas apenas no século XX. Classificada como uma das doenças mais devastadoras da história da humanidade, a última epidemia na Europa ocorreu em 1972 na Iugoslávia. A partir de 1980, a varíola foi considerada erradicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em 1977, Ali Maow Maalin, um cozinheiro de um hospital na Somália, tornou-se a última pessoa a ter um caso natural de varíola. Depois disso, o mundo esperou pelo anúncio oficial de sua erradicação. Entretanto, em 1978, outro caso foi relatado.
No entanto, quem foi a última pessoa a sofrer com a doença? Cada morte foi de fato trágica, mas a última pessoa que morreu vítima da varíola havia sido infectada por conta da negligência de um laboratório.
A fotógrafa médica Janet Parker trabalhava na Universidade de Medicina de Birmingham. Ela pesquisava justamente a varíola e lidava diretamente com o vírus em um laboratório que era dirigido pelo professor Henry Bedson. O professor havia conseguido a confiança da OMS após comprovar que estava prestes a descobrir uma forma de erradicar a doença, e por isso havia obtido amostras do vírus pela Organização Mundial de Saúde.
No entanto, o laboratório não continha suficientes requisitos de segurança, e ninguém parecia preocupado em investir nisso. Assim, os pesquisadores daquele laboratório trabalhavam com um vírus que era transmitido pelo ar, e eles não tinham vestimentas apropriadas ou chuveiros e vestiários isolados para evitar a contaminação.
A única proteção das quais dispunham eram as vacinas contra a varíola que a cada ano se renovava. Contudo, Janet Parker não se vacinava há doze anos. Resultado: ela foi diagnosticada com o vírus.
A princípio, Parker imaginou que os sintomas tratavam-se de um resfriado. Mais tarde, os médicos começaram a suspeitar de efeitos colaterais causados por alguma medicação ingerida por ela. No entanto, pústulas começaram a aparecer por sua pele. Janet iniciou um tratamento, e seus pais, com quem teve maior contato, foram colocados em quarentena.

A mãe de Janet, diagnosticada com a varíola, foi tratada e sobreviveu à doença.
Após o lamentável acidente, o diretor do laboratório, talvez movido por remorso e culpa, aproveitou um dia quando a sua esposa estava em seu jardim distraída, e se suicidou cortando a garganta. Poucos dias depois, o pai de Janet morreu de um ataque cardíaco. Dias depois, Janet sucumbiu à varíola em 11 de setembro de 1978, sendo assim a última pessoa conhecida a morrer de varíola. A Universidade chegou a ser processada pelo Health and Safety Executive por quebrar as leis de Saúde e Segurança, mas posteriormente foi absolvida no tribunal.
Atualmente, pesquisadores que tentam erradicar os últimos acordes de varíola (os que ainda restam são cultivados em laboratório), dizem que Janet Parker foi um exemplo de como um vírus consegue escapar de um laboratório. Depois disso, as orientações de saúde e monitoramento de laboratórios que recebem estes tipos de doenças tornaram-se bem mais rigorosas

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